SAMUEL CIRNANSCK CONTA OS SEGREDOS DE UMA BOA ROUPA DE FESTA

SAMUEL CIRNANSCK CONTA OS SEGREDOS DE UMA BOA ROUPA DE FESTA

Conhecido por ter feito o vestido de casamaneto da atriz Juliana Paes, o estilista comenta os erros e acertos de uma boa roupa de festa.

Numa casa sem letreiros na fachada, encontra-se a fábrica de sonhos de muitas moças em busca do vestido perfeito para subir ao altar ou brilhar numa grande festa. Fica na região dos Jardins, em São Paulo, o ateliê do estilista Samuel Cirnansck, que hoje emprega em torno de 30 a 40 pessoas e chega a entregar 30 vestidos de festa por mês, roupas que demoram de dois a cinco meses para ficarem prontas.

O estilista nasceu em 1975 na cidade de São Paulo, foi criado no interior paulista, voltou para a capital no começo da adolescência e aos 15 anos criava camisetas que vendia em feiras alternativas. Hoje atende com horário marcado seu seleto público que procura roupa exclusivas para grandes ocasiões.

“Minha única inspiração é deixar a mulher bonita†disse Samuel Cirnansck, que já fez roupas de festa para as atrizes Deborah Secco, Fernanda Torres, fez o vestido de casamento da atriz Juliana Paes e atualmente está trabalhando no vestido da Astrid Fontenelle, apresentadora do programa Happy Hour exibido pelo canal GNT, que casará neste ano.
Samuel Cirnansck diz que setembro e novembro são os meses mais procurados pelas noivas porque são datas em que o clima está bom no Brasil inteiro, não está nem muito quente e nem muito frio. Num mês atribulado para o segmento de roupas de festa, o estilista concedeu a seguinte entrevista.

Qual o segredo de uma boa roupa de festa?
Acho que não só para roupa de festa mas para qualquer outro tipo de roupa, o estilista precisa entender qual é a personalidade da cliente e fazer uma peça com as características dessa pessoa e não fazer com que essa mulher pareça estar fantasiada.

Qual o estilo da brasileira para moda festa?
As brasileiras têm muito bom gosto, sabem muito bem exibir o corpo e todas são muito elegantes. Elas sabem se vestir e gostam de vestidos tipo sereia, de roupa justa que marque o peito e a cintura. Os americanos às vezes se vestem de uma forma muito exagerada para irem às festas, com muitos brilhos e estampas e eu acho que a brasileira tem uma boa noção.

O que o senhor acha que as pessoas devem evitar ao se vestirem para uma grande festa?
Estampa, estampa, estampa. Estampas são para festas de veraneio. Se é uma festa na beira da piscina, de um rio, num resort ou no mato, vale a pena ir com uma estampa e usar uma roupa mais descontraída, mas numa recepção em que a festa será num salão e você será madrinha ou convidada, nunca deve-se usar estampas.

O senhor acha que os vestidos tomara que caia vão imperar por muito tempo?
Eu acho que sim porque o tomara que caia deixa a mulher mais livre para poder usar acessórios e um penteado bacana. Com uma alcinha ou uma gola, limita-se um pouco as opções de cabelo e acessórios que você poderá usar. Pode ser que o tomara que caia saia de moda porque as pessoas estão cansadas de olhar para esse estilo e vai aparecer uma alcinha ou um ombro só, não tem muito o que fazer…

Qual o seu processo criativo para criar uma roupa de festa?
Toda estação eu mudo a ideia da coleção que é apresentada no São Paulo Fashion Week e tudo é criado a partir do que foi desfilado na passarela, as cores, tecidos, bordados, etc. A cliente prova um vestido no meu ateliê e fala “gostei muito desse bordado mas gosto daquela outra saiaâ€, então eu faço um mix dessas peças escolhidas.

Como o senhor conheceu a atriz Juliana Paes e como foi o convite para o senhor fazer o vestido de casamento dela?
Nos conhecemos quando fiz um vestido para a Juliana usar na capa da revista Nova em 2005 e essa edição foi um sucesso de vendas. Depois nos encontramos numa festa e ela me disse que tinha sido pedida em casamento e queria que eu fizesse seu vestido de noiva. Marcamos uma data, ela veio no meu ateliê, tirei as medidas, ela pagou o vestido e fez as provas, foi uma cliente como todas as outras. Ter uma pessoa especial como Juliana Paes como cliente é muito bacana.

Existe alguma tendência para vestidos de noiva?
Hoje em dia a pessoa veste o que ela bem entende. A noiva pode casar de curto, longo ou sereia, o importante é seguir sua personalidade e não apenas usar o que está na moda. Se a mulher ficar bem de curto, então ela deve casar de curto. A moda passa de 6 em 6 meses mas roupa de festa não pode cair de moda.

O senhor acha que o valor da sua criação é reconhecido pela crítica? Alguns comentários se referem à sua roupa como sendo exagerada e extravagante, qual a sua opinião sobre issso?
Os estilistas Christian Lacroix e John Galliano são exagerados e extravagantes e são bacanas. Você pode ser exagerado ou extravagante e ser legal, moderno ou cool, então depende como as pessoas usam essa palavra. Não dá para comparar a roupa que eu faço com uma roupa por exemplo da Ellus, do Alexandre Herchcovitch ou do André Lima, porque eles fazem um tipo de roupa e eu faço outro. Tem que saber se me comparam com streetwear, homewear, beachwear ou se estão me comparando com alguém que faz o mesmo tipo de roupa que eu faço, que é roupa de festa.

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A entrevista acima foi feita durante o curso de Jornalismo de Moda que concluí em novembro de 2009 na Escola São Paulo. As aulas foram lecionadas pelos editores de moda do jornal Folha de São Paulo Alcino Leite Neto e Vivian Whiteman.


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Posted by Thaís Suzuki